18.jun.2010 at 18 | Ana Cláudia Bessa
MANIFESTAMOS PELAS MÃES
Mãe que dá o melhor de si e convive com a crônica sensação de que nada é o suficiente.
Mãe de carne, osso e vísceras que, ao se perceber humana, sente-se cada vez mais distante do ideal de devoção da Santa Mãezinha. E por isso se culpa.
Mãe que comprou o sabonete com óleos essenciais, o iogurte com fibras, o desinfetante com cloro ativo, a fralda com bloquigel e mesmo assim seu filho não dormiu a noite inteira, seu marido se queixa e sua casa não é o templo limpo, perfumado e livre de insetos que aparece na TV.
Mãe mulher, dona de casa, profissional e amante, que segue passo a passo as dicas das revistas femininas para conciliar seus inúmeros papéis e virar “super”, mas ainda não encontrou sua capa.
Mãe cuja única preparação para a mais dramática mudança da sua vida foi o cursinho da maternidade e, se privilegiada, a decoração do quartinho e a compra do enxoval.
Mãe que vive em uma sociedade que a glorifica, ao mesmo tempo em que a obriga a terceirizar a criação dos seus filhos. Seja por necessidade, independência ou reconhecimento. Como se, em qualquer um desses casos, essa não fosse uma decisão extremamente difícil.
Mãe que se divide diariamente entre a administração do lar e da profissão, encarando múltiplas jornadas que a levam constantemente à exaustão física e emocional.
Mãe que se dedica de corpo e alma ao significativo projeto de criar uma criança, enfrentando um nível de cobrança superior ao de qualquer chefe ranzinza e cliente exigente. 365 dias por ano, 24 horas por dia. E mesmo assim é percebida como alguém que não faz nada. Até por si mesma.
Mãe pobre que, quando opta pelos filhos, é acomodada. Quando rica, é madame. E, quando profissional, é ausente.
MANIFESTAMOS PELA MATERNIDADE
E, portanto, pela liberdade de sentir. De seguir os instintos. De viver em plenitude emoções e sentimentos totalmente femininos. Pois negá-los, seria abrir mão daquilo que faz da mulher, um ser único.
Manifestamos pelo direito de cada mulher escolher o papel que melhor lhe cabe no momento. Sem se sentir pressionada, desmerecida ou julgada pelo que decidiu não ser.
Manifestamos por parir de forma saudável, humana e tranquila e que essa seja uma decisão consciente da mãe. Amparada por uma equipe de profissionais da saúde que a respeitam, orientam, acompanham e zelam pelo bem estar dela e do bebê.
Manifestamos pelo direito de amamentar a cria, sem ser pressionada por profissionais da saúde mal formados ou parentes bem intencionados, a substituir por mamadeira, o alimento que só o seu peito pode dar.
Manifestamos pela aceitação da metamorfose e da mudança de valores que a chegada de uma criança proporciona na vida de qualquer adulto. E pela valorização desta transformação na sociedade, como contraponto para a cultura do egoísmo e da juventude eterna.
MANIFESTAMOS PELO ATIVISMO ANÔNIMO E INCANSÁVEL DAS MÃES
Nas trincheiras domésticas de uma sociedade cada vez mais dominada pelas leis cruéis do mercado.
E apoiamos as mães que questionam. Que boicotam.
Que compram e deixam de comprar. Que sabem o que servem à mesa e o que jogam no lixo.
Que desligam a TV, controlam o videogame e a quantidade de açúcar.
Mães que tentam proteger a infância e não desistem diante do bombardeio de mensagens que estimulam a erotização e o consumo precoces.
Mães que empreendem, que inventam, que abrem mão, que buscam alternativas, que assumem o vazio e a sobrecarga. E promovem viradas.
Mães que brigam por uma escola melhor, mais humana e significativa; pública ou privada.
Que pensam globalmente e agem localmente, casa a casa, família a família.
E que administram seus lares, como se ali começasse a mudança que desejam para o planeta.
MANIFESTAMOS PELA TOMADA DE CONSCIÊNCIA FAMILIAR
Pela valorização do papel da mãe no seio da família e pelo fim das hipócritas tentativas de minimizar a diferença que a presença dela faz.
Pelo reconhecimento da vital importância da maternidade para a humanidade, e por ações sociais e políticas que valorizem e estimulem a atuação da mãe.
Por uma rede de relacionamentos que coloque novamente mulheres de diferentes gerações em contato, reconstruindo referências que foram deturpadas e estereotipadas pela mídia e pela sociedade.
Por mães unidas para estudar, compartilhar experiências e desenvolver novos pontos de vista para este tema milenar, universal e ainda tão incompreendido.
Por uma nova formação familiar, focada no bem estar integral dos seres humanos e não somente no bem estar material.
Por pais que valorizam a tomada de consciência materna, dando sua participação necessária para que ela floresça. Mesmo sem entendê-la completamente.
Por mães que partilhem com seus parceiros as responsabilidades, agruras e alegrias de se cuidar dos filhos, sendo entendido que eles pertecem aos dois, igualmente.
Manifestamos pela ausência de fórmulas, de guias práticos e de respostas prontas, pois cada mulher é livre para buscar seu caminho e desenvolver sua história. No seu tempo, no seu ritmo e na sua individualidade.
Manifestamos pela conciliação de uma maternidade moderna com uma maternidade mais plena.
Manifestamos por você e por nós. Pela Terra e por todos os filhos que dela vieram e ainda virão.










Simplesmente ameeeiii……temos que lutar muito pela valorização das mamães! Nós somos essenciais para a construção de um mundo novo!
bjs
Carla
Olá! adorei, estou participando e postei quase tudo la no meu blog, espero que gostem, ja assinei o manifesto tb.
esses dias mesmo tava conversando cum uma amiga sobre isso, ser mae, mulher e mais mil coisas ao mesmo tempo é mto dificil e nem semre somos valorizadas.
Parabens pela iniciativa!
tenikey
Meninas,
estou há pelo menos duas horas conhecendo o blog de vocês. Estranho a gente já não ter se esbarrado nesta blogosfera antes. Não tenho palavras para expressar o quanto estou feliz em conhecê-las.
Sou mãe de uma princesa de 5 anos e mesmo não tendo planejado esta gravidez (tenho 27 anos) recebi-a de coração aberto. Hoje sou 100% transformada pela maternidade e de uns tempos pra cá tenho sentido uma necessidade muito grande de tentar tirar essas ideias da cabeça e fazer algo real, por a mão na massa mesmo.
Sou formada em Letras pela UFMG e em Pedagogia, tenho pós em psicopedagogia e estou terminando o mestrado em Crítica Literária (literatura infantil). Tenho muita coisa pra compartilhar! Quero entrar nesta luta com vocês e aceito qualquer posição de batalha. =) Como posso ajudar? QUal email consigo falar com vcs?
Por ora, parabéns pela inciativa maravilhosa!
Adorei conhecer o grupo cria! já assinei e vou ajudar divulgar, tenho uma bebe de 16 meses, e decidi ser mãe em periodo integral. Espero poder acompanhar este site, apesar da correria de se mae, dona de casa, esposa, etc etc etc somos mil e uma não é mesmo? conheça meu blog sobre eu e minha familia babidorafa.blogspot.com e tb sobre turismo mysharedtourism.blogspot.com.
ADOREIIIIIII!!
Muito bom saber que existem pessoas que estão se preocupando c/ oq eu imaginava q ng se preocupava!
Vou link e indicar seu blog lá no meu!!!!
Bjuuu gde e tamo junto
Impressionante como concordo com absolutamente tudo que está no manifesto. Excelente iniciativa! Sou uma mãe de primeira viagem que criou um blog para expor suas descobertas ao longo desse processo difícil e prazeroso de se tornar mãe. Sou psicóloga também e estudei bastante o desenvolvimento emocional e teorias da psicologia social que me ajudam a criar estratégias de “sobrevivência” sem culpa – ou com menos culpa – nesse mundo tão hostil à maternidade consciente. Meu foco de pesquisa no mestrado foi cidadania e estou em busca de uma questão para o doutorado. Sabe que o manifesto de vocês me faz pensar em usar mais esta etapa de minha carreira para contribuir para essa dupla construção (construir-me como mãe e construir um ambiente mais justo para todas nós, mulhere e mães)? Gostaria de saber como participar mais ativamente do movimento de vocês.
Grande beijo
Adorei e postarei em meu blog
òtima iniciativa Beijos
Vi essa campanha rolando por blogs maternos e corri aqui para ver de perto.
Adorei a idéia!
Eu apoio esta causa!!!
Amei a iniciativa e chorei muito lendo o manifesto! Coincidiu com um momento bem conturbado, emocionalmente, pra mim, cheio de duvidas e incertezas quanto a maternidade, ser mulher, profissional ser GENTE! Tô com vcs pro que der e vier, levo bandeira no carro, ajudo a organizar passeata, reuniões o que for preciso para podermos ter o direito de dizer que as vezes queremos sumir da face da terra, mas nunca, jamais deixarmos de ser mãe!!!!
Gde beijo a todas vcs
Bianca (Dona Pimenta)
Acho maravilhoso que as mães possam se reunir em uma grande rede de apoio. Fiz questão de fazer um link para o Manifesto, porque creio que estamos na mesma sintonia.
Desde que me tornei mãe, venho questionando os modelos de perfeição da maternidade presentes na mídia, impregnados no cotidiano, e que tantas vezes acabamos por nos “auto-impor”, sem perceber. Trata-se de um trabalho em gestação desde 2003 e agora está dando os primeiros passinhos:
http://maeperfeita.wordpress.com/
Um beijo e parabéns pela iniciativa!
Marusia
Perfeito!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Falou tudo o que passa uma mãe… Já postei no blog!
bjs,
Carla, obrigada por seu apoio! Concordamos plenamente com sua colocação, somos essenciais ao futuro. Estamos promovendo vários posts a respeito e convidamos você a entrar nas rodas de conversa, um dos posts é esse aqui: http://futurodopresente.com.br/ana/2010/06/consciencia-materna/
Beijos!
Tenikey, muito obrigada por nos ajudar a divulgar! Além da valorização da quantidade de coisas que fazemos, é preciso valorizar aquilo que fazemos, porque o exercício da maternidade é importantíssimo para formação dos cidadãos, do futuro, não é? Te convido para dar uma lida em alguns posts que estamos fazendo para debater o assunto: http://blogdodesabafodemae.blogspot.com/2010/07/o-que-e-o-que-e.html
Oi, Marina!
São tantos blogs, tantas mães, não é fácil dar conta de tanto conteúdo.
Mas o bom é isso mesmo, é que sempre tem gente nova e coisa nova para conhecer.
Também é muito bom conhecer você e contar com seu apoio!
Para falar com a gente, basta escrever para contato@grupocria.com.br.
A maior ajuda agora é ajudar a espalhar o manifesto. Obrigada!
Um grande beijo!
Oi, Bárbara!
Muitas mães estão fazendo este caminho inverso e claro que apoiamos.
Não é uma escolha fácil…ô!!!Obrigada pelo seu apoio!
Só agora vi esse post e já corri para assinar e divulgar! Bom saber que existem outras mães que pensam como a gente, Tem horas que nos sentimos et´s ou meio idiotas por acreditarmos que podemos fazer diferente passando valores importantes para que nossos filhos cresçam cidadãos mais conscientes. Meio romântico, talvez. QUe seja! Mas a minha parte eu pretendo fazer!
Bjs, Eliane
[...] This post was mentioned on Twitter by ana claudia bessa, 1001roteirinhos. 1001roteirinhos said: Bacanérrimo!Vale a pena conhecer e apoiar! RT @anaclaudiabessa: [..]Assine o Manifesto pela Valorização da Maternidade! http://bit.ly/azKy20 [...]
[...] [...]
PErfeito.
Adorei a iniciativa! 100% verdade o que está no manifesto. E sabem o que é pior, o mundo te induz a dar leite industrial, papinhas de supermercado, a deixar na creche e depois ainda te culpam de fazer isso. Amamentei exclusivamente meu filhote até os 6 meses. E até 4 dias atrás ele ainda mamava (hoje está com 1 ano e 4 meses). Gabriel é tão fascinado pelo peito que mamava o dia inteiro se eu estivesse perto dele. Semana passada peguei uma virose muito forte, precisei de remedios mais fortes ainda e o médico (pela centésima vez) disse que o melhor caminho seria desmamar. O médico e todos que me conhecem perturbavam com isso. As pessoas dizem que não é saudável passar a noite amamentando (realmente sem dormir é bem difícil). Mas quando resolvi tirar de vez, agora tá todo mundo com “peninha” do Gabriel. Ninguém pensa na mãe mesmo não. Emitem opiniões, julgam, ignoram completamente sua capacidade de tomadas de decisões. E a gente precisa engolir… Isso num período que, pelo menos para mim, parece o pior de todos os momentos. Tá sendo muito difícil mantê-lo afastado. O leite não secou, pelo contrário. Cada vez que ele chega perto, o peito enche novamente. E lá vou eu tirar na bombinha. Nem posso doar, por causa dos antibióticos, corticóides e etc da virose. Um desperdício. Fora todas as reações do corpo. Fora ver meu lindo bebê choramingando pelos cantos sem saber bem o porque, quando no fundo tudo que ele queria era ficar grudadinho na mãe, mamando. Difícil, muito difícil. Dá vontade de ignorar tudo e “liberar os peitinhos”. Mas seria uma covardia com o pequeno. Não depois de 4 dias tristinho, não depois de já estar “quase” acostumando. Mas é só mais uma etapa. Vai passar…
[...] [...]
Sou mãe de gente grande, meus filhos têm agora, 20, 16 e 12, concordo ccom tudo que está escrito aqui,
muita gente gosta de dizer que a mulher que prefere ficar com os filhos é preguiçosa, mas será mesmo?
Tomei essa decisão quando precisei optar entre ser professora e ser mãe, apesar de amar meu ofício não era mais possível conciliar as coisas, talvez, como gostam de dizem meus críticos, poer incompetência, talvez pelas exigências cada vez mais absurdas das escolas, sei lá, sei que meus filhos merecem minha dedicação, minha atenção.
Não acho que tercerizar a maternidade seja algo razoável, as famílias modernas institutuiram mais um membro à família, a babá, a coisa está tão fora de controle que as babás estão dando a palavra final nas decisões com as crianças.
Olá, parabéns pela iniciativa! Descobri o manifesto através de um blog, e já assinei. Estou a disposição para ajudar, vou divulgar no meu blog tb.
Tb estou passando este dilema, estou grávida do meu 1o. filho, c/ 6 meses de gravidez, como sou funcionária pública (médica) terei licensa maternidade de 6 meses, mas quando voltar, a minha carga horária é de 40 horas semanais, se eu optar por reduzir para 30 ganharei apenas 1/5 do que ganho, não é um absurdo?? Ainda tenho tempo para pensar no que vou fazer, mas sei que não quero terceirizar a educação do meu filho. As mulheres tinham que lutar p/ ampliação de empregos com 20 e 30 horas s/ redução (ou mínima) dos salários, isto deveria ser lei. Ninguém vêe, mas é uma ação que beneficia toda a sociedade.
Bjs e parabéns!
adorei,já assinei.gostaria que maais pessoas valorizasem as maes.conheci hoje e me encantei
Paty, é isso mesmo. Valorizar a maternidade, a presença da mãe mais perto dos filhos é fundamental para uma sociedade mais sadia. Ninguém quer mães donas-de-casa, não é isso. Mas que tenhamos apoio para ter mais flexibilidade para conduzir nossas vidas e a maternidade de forma mais plena.
Achei minhas iguais!!!
Muitas vezes achei que era “doida” por tentar exatamente essas coisas propostas no manifesto…me diziam que era educação antiga, acontece que foi o modelo que meus pais usaram comigo;
DEU CERTO!
encontrar o apoio de vocês foi ouro pra mim!
Adoro trocar figurinhas*
Parabéns!
Achei maravilhoso…desde que minha filha nasceu eu percebi a minha importância na criação dela…sou funcionária publica (professora) mas não consigo mais ir dar aula..estou a 1 semana sofrendo…vou deixar meu emprego e me tornar uma mãezona em tempo integral..minha filha e meu marido precisam disso…e é verdade que as pessoas acabam nos achando acomodadas..mas sinceramente já não me importo nem um pouco o que vale é minha familia feliz e bem estruturada…maridão me apoia em tudo..é isso que importa..
Parabéns pela iniciativa!
Sou mãe de duas lindas meninas de 3 e 5 anos, esposa, arquiteta, e tive minha vida transformada radicalmente nestes últimos 5 anos pela experiência da maternidade. Sempre fui uma profissional exemplar, funcionária pública em ascensão, saía de casa às 7:00 e só retornava por volta das 20:00 hs, isso quando não eram as viagens, ou reuniões e palestras técnicas nas quais me ausentava por dias longe de casa, tudo bem quando era só eu e meu marido. Trabalhava com o que gostava, em uma Secretaria Estadual de Meio Ambiente, com projetos de urbanização relacionados a preservação e conservação do meio natural – parques, unidades de conservação, etc., super estimulante não!!?? afinal trabalhar com a possibilidade de agir diretamente na preservação do planeta, poder quem sabe salvar espécies da fauna e da flora nacional, intervir em áreas e recuperar outras de preservação permanente, um trabalho no mínimo desafiador, que desempenhei durante 7 anos com muita competência, consciência e dignidade. Hoje, sou ˜Mãe” com muito orgulho, em tempo integral, de corpo, alma, coração e muito, muito suor e até algumas lágrimas de vez em quando. Me achava uma espécie em extinção, por vezes me peguei tendo que me explicar exaustivamente, pela minha opção. Deixei minhas filhas com os avós por muito tempo, sei que elas ficaram bem, mas eu sofri cada ausência, comecei com gastrites incuráveis, emagreci ao extremo, o cabelo caiu, tive alterações de tireóide, e assim como os meninas que foram internadas num mesmo dia com princípio de pneumunia, fiquei doente física e psicologicamente. Tentei buscar de muitas formas alternativas para conciliar o meu trabalho com uma possível criação digna e autêntica das minhas filhas, pedi ajuda, cruzei fronteiras, me deparei com uma sociedade hipócrita, em que as próprias mulheres dirigentes tem orgulho de dizer que trabalham 40, 50 60 hs por semana, e que quem não se adapta é que é coitatidinho, desisti, não valia a pena, o tempo passava e eu perdia anos de doçura que só doíam na minha alma.
Não me importo mais em dar explicações, sou mãe ponto e pronto, luto pela preservação da minha espécie, administro a minha família, e as minhas filhas são o meu melhor Projeto.